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Maringá registrou 386 acidentes de trabalho em 2017

Maringá registrou 386 acidentes de trabalho durante todo o ano passado. O impacto previdenciário decorrente de afastamentos neste período chegou a R$ 2,22 milhões. As informações são do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, órgão ligado ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Organização Internacional do Trabalho (OIT).

 

Para efeito de comparação, o registro de acidentes do ano passado ficou 17,6% menor que o do ano anterior, 2016, quando foram 454 acidentes.

 

No período entre 2012 e 2017, foram registrados 2.784 pedidos de auxílios-doença motivados por acidentes de trabalho em Maringá e um impacto financeiro de R$ 19,46 milhões. Leva-se em conta também que os afastamentos, somados, geraram uma perda de 445.917 dias de trabalho.

 

Nestes seis anos, a pesquisa mostra que o recorde maringaense de acidentes aconteceu em 2013, quando foram registrados 602 acidentes com um impacto previdenciário de R$ 4,79 milhões. Ainda na somatória desse período, as atividades de atendimento hospitalar estão em primeiro lugar e representam 11,29% dos acidentes. Em seguida, os frigoríficos, com o abate de suínos, aves e outros pequenos animais, equivale a 4,12%. O comércio varejista, com predomínio de produtos alimentícios - hipermercados e supermercados - fica em terceiro lugar, com 3,66% do total entre 2012 e 2017.

 

Todo o Estado do Paraná registrou 14.039 acidentes de trabalho durante o ano passado. As despesas com afastamentos neste período somam R$ 73,28 milhões. Houve uma queda em relação a 2016, que registrou 15.938 acidentes com impacto previdenciário de R$ 125,53 milhões.

 

No Brasil, desde o começo do ano passado até ontem, foram registradas 675.025 comunicações por acidentes de trabalho e notificadas 2.351 mortes.

 

De acordo com Marcus Aurelio Lopes, juiz titular da 5ª Vara do Trabalho de Maringá e Gestor Regional do Programa Trabalho Seguro, apesar dos números, as condições de trabalho hoje são muito mais favoráveis do que eram há alguns anos.

 

"Em 1974, o Brasil registrou 1,5 milhão de acidentados e 200 mil óbitos por acidente de trabalho. E a população economicamente ativa na época era um terço menor do que temos hoje. Então, nós reduzimos em 50% o número de acidentes, para uma população de 47 milhões de empregados com carteira assinada. Isso quer dizer que nós temos um ambiente de trabalho muito mais favorável do que tínhamos há 40 anos", explica.

 

Segundo ele, a questão de saúde e segurança do trabalho envolve três pilares: o empresário, o empregado e o governo. "O empresário é o principal responsável pela segurança do trabalhador. É ele que tem os meios de produção, que determina a velocidade dos processos de trabalho e que define o investimento em equipamentos e tecnologias que serão utilizadas. E tudo isso deve ser voltado para um ambiente de trabalho que propicie o melhor desempenho da empresa, mas que também preserve a saúde do trabalhador. Do ponto de vista do empregado, a responsabilidade é se qualificar e ser dirigente na sua atividade profissional, para evitar danos a ele mesmo, à empresa e à terceiros. E o governo, que tem a responsabilidade de fiscalizar essas atividades e de editar as normas que regulamentam todas atividades que levam a riscos ocupacionais", enfatiza

 

Para Lopes, quando ocorre um acidente de trabalho, é importante realçar a posição do empregador nas condutas e atitudes que ele tenha tomado para evitar danos. "Devemos enfatizar as atitudes positivas que os empregadores praticam na questão de acidente de trabalho para estimular que eles tratem saúde e segurança do trabalho como investimento, e não como custo. As tecnologias utilizadas, técnicas e práticas que foram aplicadas."

 

Fonte: O Diário