Central de Atendimento
Tel.: (44) 3226-3456
Seu chefe faz ameaças usando a crise como desculpa? Veja o que fazer

A crise tem aumentado a taxa de desemprego e causado insegurança entre os funcionários que ainda têm trabalho. Para enfrentar a recessão, o empregador reduz custos, o que pode significar corte de vagas ou até substituição de mão de obra para pagar salários mais baixos. Assim, em momentos de cenário econômico e político incerto, a pressão tende a aumentar no ambiente de trabalho para que os funcionários rendam mais e tragam resultados.


Segundo especialistas da área de recursos humanos, neste momento complicado do país, quem emprega e quem está empregado deve estar atento a como proceder nas relações no ambiente de trabalho para que haja equilíbrio entre a motivação e a produtividade esperada.


Veja abaixo o tira-dúvidas com dicas dos especialistas de carreira Roberto Recinella e Bibianna Teodori.


Ouço constantemente que se eu não produzir mais poderei ser mandado embora. O que eu faço?


Recinella: Independente de crise ou não, essa possibilidade sempre existirá, pois a empresa sempre espera um aumento de produtividade. Acredito que o correto seja produzir “melhor” ao invés de “mais”. De qualquer modo, você deve sempre se autoavaliar para descobrir pontos de melhoria, por exemplo, como administra o seu tempo, se os processos estão ajustados, se tem consciência dos resultados que deve atingir. Você deve sempre buscar como produzir mais e melhor com menos, isto é uma busca constante na vida profissional.


Bibianna: Produza mais e dê o melhor de si. Seja motivado, desempenhe, se desafie. Sempre podemos melhorar um pouco. Acredite nas suas habilidades e competências. Pense na empresa onde você trabalha como o seu melhor cliente e ofereça os melhores serviços.


Tenho medo de ser substituído por outro empregado que ganhará menos que eu. Como faço para isso não acontecer?


Recinella: Existe um ditado que diz “Do couro sai a correia”, sendo assim, você somente será substituído se não estiver alcançando os resultados que justifiquem o seu salário. Nenhum gestor dispensa um colaborador produtivo. Mas vale lembrar que só talento e trabalho duro não garantem seu emprego, pois a percepção que as pessoas e a empresa têm sobre você também é importante. Questione-se se você está realmente alinhado aos interesses e políticas da empresa ou está apenas focado em pegar o seu salário no final do mês.


Bibianna: Melhore o desempenho e a produtividade, trabalhe com entusiasmo e dê o melhor de si.

 

Tem dias que eu fico esgotado de tanto estresse por causa da pressão da chefia. Posso pedir demissão?


Recinella: Pedir demissão é um direito seu, mas avalie bem antes de tomar a decisão, pois eu não conheço nenhuma empresa onde não exista pressão e estresse na eterna busca de resultados melhores. Isso faz parte do “jogo”, sendo assim, aprenda a lidar com esse “esgotamento”, descobrindo o que o incomoda, a origem do problema, identificando os agentes estressantes e fazendo pequenos ajustes. Expor a situação aos colegas e o chefe também auxilia na resolução do problema.


Bibianna: O estresse se manifesta quando os pedidos do empregador superam a capacidade do trabalhador de enfrentá-las. O estresse não é uma doença, mas pode provocar problemas de saúde mental e física, como depressão, esgotamento físico, irritação e problemas ligados ao coração. Trabalhar sob pressão oferece satisfações quando se consegue alcançar metas e objetivos. Do contrário, quando os pedidos e o jeito da chefia de pressionar os funcionários são excessivos, vem o estresse.


Se os defeitos e o jeito de trabalhar do seu chefe estão afetando a sua produtividade, então é hora de mudar. Após um tempo, alguns postos de trabalho acabam afetando o desempenho dos funcionários, não empolgando mais e deixando-os estressados. Então, avalie a situação e pense se é o caso de pedir demissão.


Tenho vontade de ir para uma empresa melhor. Posso procurar emprego, pedir demissão ou espero a crise passar?


Recinella: Nada o impede de procurar emprego numa empresa melhor com crise ou não, mas sugiro que apenas peça demissão após conseguir a sua recolocação. A questão a ser levantada é o que faz, em sua opinião, uma empresa ser melhor ou pior e por que você não considera a sua empresa melhor. Será que não existe possibilidade de você crescer em sua empresa? E finalmente, como você se enxerga como colaborador na empresa, melhor ou pior? Faço esses questionamentos para que você reflita se o problema é a empresa ou você.


Bibianna: Querer algo, sonhar com uma situação melhor é o primeiro passo rumo a uma vida mais feliz. De qualquer forma, é sempre importante avaliar a situação. Faça uma análise da sua situação atual. Você tem dívidas? Tem a escola dos filhos que precisa pagar todos os meses? Atualmente há uma insatisfação geral e só se fala de crise. É importante entender se há a coragem de mudar de verdade, de se desafiar, de sair da zona de conforto. O que você quer manter do seu trabalho atual? O que gosta de verdade? O que não gosta e o que não quer que esteja presente no outro emprego? É importante ter claro isso. A nossa mente se foca sempre sobre as coisas de que não gostamos e esquecemos de pensar no que queremos de fato. Para pensar em algo melhor, reflita o que seria “algo melhor”, “empresa melhor”, os valores nos quais você se alinharia.


Tenho vontade de ir para um ambiente de trabalho mais harmonioso para trabalhar. É o momento de mudar?


Recinella: Sempre acreditei que um ambiente de trabalho harmonioso é conquistado pelos colaboradores da empresa, ou seja, as pessoas fazem o ambiente. Lembro-me de uma reflexão que explica o motivo pelo qual quando você muda de cidade, emprego, relacionamento etc., na maioria das vezes, não alcança o resultado desejado, isso ocorre porque você vai junto. Experimente uma vez você mudar ao invés de mudar as coisas ao seu redor.


Bibianna: O que você entende por mais harmonioso? O que deveria acontecer na empresa onde você está para deixá-la mais harmoniosa? Qual é a empresa que você considera mais harmoniosa? Refletindo sobre isso, você começa a obter um quadro mais complexo e melhor definido do problema. Consequentemente, entende melhor o que quer. Uma vez enfrentado esse passo de preparação, pode começar a procurar.


Posso tentar mudar de setor dentro da mesma empresa ou isso pega mal?


Recinella: Muitos especialistas recomendam que você mude de setor sempre que possível. É o chamado “job rotation” (job – trabalho e rotation - rotação, variação). Essa prática consiste basicamente no aprendizado do colaborador em outros setores ou cargos. Os gestores afirmam que para o colaborador se tornar um profissional completo deve aprender no dia a dia como funcionam os demais setores da empresa, melhorando o desempenho em suas funções. Além disso, é uma ótima oportunidade para tirar o colaborador da sua zona de conforto.


Bibianna: Se você acha que mudando de setor pode conseguir resultados melhores para a empresa e se sentir mais realizado, isso pode ser melhor para todos. O que adianta estar num setor e trabalhar insatisfeito?


Quando posso me mexer para tentar mudar de emprego? Só quando eu perceber que a crise está passando?


Recinella: Você deve se mexer para tentar mudar de emprego sempre que julgar que não está mais contribuindo e produzindo na empresa, quando não tem mais chances de crescimento ou sentir que a sua carreira está estagnando. Mas qualquer que seja o seu motivo, você deve planejar com antecedência e pensar muito sobre suas opções. Eu não me preocuparia com crise, pois em minha opinião quanto maior a crise mais os bons profissionais são valorizados no mercado. A pergunta que você deve se fazer é “Eu sou um bom profissional desejado pelo mercado?”


Bibianna: É importante o profissional analisar o mercado em que ele atua e a sua carreira. Antes de aceitar um novo emprego, é importante responder a si mesmo algumas perguntas, como: há quanto tempo está na empresa? Como está a sua carreira? Quanto você está ganhando? Qual seria o salário que o mercado oferece para o mesmo cargo? Quais seriam os benefícios da empresa onde você se imagina trabalhando?


Trocar de emprego só pelo salário não vale a pena. Pode encontrar outros problemas e se frustrar. É imprescindível que, quando aceitamos um novo emprego, se ofereça a oportunidade de crescimento profissional, benefícios, desafios. Mexer-se é sempre bom, mas é fundamental entender o porquê quer “se mexer”, o que na empresa atual não está agradando mais.


O profissional pode permanecer 20 anos numa empresa e ter desafios. Não há um tempo determinado para a troca de emprego. É importante mudar quando no trabalho achamos que não há mais desafios, não há mais crescimento profissional. Antes de mudar, também é sempre bom lembrar que a troca constante de emprego não é favorável para a carreira. Precisamos de tempo para obter resultados e para nos adaptar.


Que dicas você dá para que as coisas andem de forma harmoniosa e, assim, os resultados sejam atingidos e todos fiquem satisfeitos?


Recinella: Você vai ter que se adaptar a aprender a trabalhar mais com menos e tolerar a pressão por resultados que irá surgir neste período. Comprometimento e flexibilidade serão diferenciais nesta fase. Eu sugiro que você seja proativo e converse com o seu líder sobre como as suas competências podem auxiliar neste período de turbulência. Lembre-se: faça parte da solução e não do problema. Historicamente, todos que passam por períodos de crise saem mais fortes e experientes.

 

Fonte: Portal G1